FOLHA DE SÃO PAULO (SP) • DINHEIRO • 26/11/2010 • CONCORRÊNCIA
Fator acusa PanAmericano de fornecer dados falsos
Banco avaliou a instituição de Silvio Santos antes do investimento da Caixa Também participaram das atividades de avaliação consultores e advogados; base não tinha nomes de clientes
DE SÃO PAULO
O banco Fator diz que só há uma explicação para o fato de não ter encontrado o rombo de R$ 2,5 bilhões no Panamericano ao analisar a situação da instituição para a Caixa Econômica Federal: os dados fornecidos pelos executivos estavam fraudados. "Se as notícias estão certas, nós recebemos documentos falsos do Panamericano", afirma Venilton Tadini, diretor do banco. Por conta do impacto que esse caso teve na imagem do Fator, o banco cogita processar os executivos do Panamericano que forneceram as informações para a análise, segundo Tadini. O Fator fez a análise do Panamericano antes de a Caixa investir R$ 740 milhões no banco, em dezembro do ano passado. A fraude nos números do Panamericano foi descoberta entre julho e agosto deste ano, de acordo com a fiscalização do Banco Central. Para o banco de Silvio Santos não quebrar, o Fundo Garantidor de Crédito, entidade que recebe recursos dos depósitos bancários, emprestou R$ 2,5 bilhões ao apresentador. A principal fraude, segundo o BC, era que o Panamericano vendia carteiras de créditos para outros Bancos e não dava baixa nesse ativo, ou seja, não o retirava do balanço. Com essa manipulação contábil, o banco parecia ter mais recursos do que tinha de fato. CARTEIRA DE FUMAÇA O Fator trabalhou na avaliação com consultores da KPMG e advogados do escritório Bocater, Camargo, Costa e Silva. Foram 90 dias de trabalho, por uma equipe que tinha entre 30 e 40 pessoas, dependendo da fase. O grupo recebeu uma base de dados que não tinha os nomes dos clientes, para não violar o sigilo bancário. Cada cliente era representado por um código. Sem o nome dos clientes do Panamericano, não daria para notar a fraude, diz Tadini. "Não é meu dever avaliar se uma carteira de 1 bilhão é fumaça. Não estou lá para questionar a fidelidade dos documentos", afirma. Na avaliação do Fator, os dados das carteiras de crédito coincidiam com os números do balanço financeiro. A norma número 18 do Ibracon (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que regula os serviços para venda de participação societária, diz: "A responsabilidade primária pela fidedignidade das demonstrações contábeis e de quaisquer outras informações produzidas pela empresa recai sobre seus administradores". As primeiras avaliações indicam que as fraudes começaram em 2006. As análises do Fator foram feitas no ano passado -a data-base era 30 de março de 2009. Na avaliação feita para a Caixa, o Fator diz ter encontrado pequenos problemas nas áreas tributárias e trabalhista, que denotavam uma certa desorganização na administração, mas não na carteira de crédito. O Fator é um dos maiores avaliadores de Bancos do país. Já atuou na privatização do Banespa, do Banestado (do Paraná), na Nossa Caixa e do Bandep (Banco do Estado de Pernambuco). Dos cerca de R$ 108 bilhões que o governo obteve no processo de privatização do governo FHC, o banco avaliou empresas que valiam R$ 16 bilhões. Nesse processo, o Fator descobriu um rombo de R$ 4 bilhões no Banespa e outro de R$ 250 milhões no Banestado. "Temos tradição em pegar esse tipo de coisa", afirma o diretor.
FOLHA DE SÃO PAULO (SP) • DINHEIRO • 26/11/2010 • CONCORRÊNCIA
Sem consórcio coreano, governo deve adiar leilão do trem-bala
Desistência de chineses, franceses e espanhóis e de empreiteiras brasileiras esvazia disputa Grupo Bertin deixa consórcio de coreanos por "falta de recursos"; asiáticos procuram novo sócio nacional
DE BRASÍLIA Empresas brasileiras que estavam para se associar com o consórcio coreano do trem-bala desistiram do negócio. Como é o único que anuncia interesse no leilão, o governo deu um prazo para o grupo se reorganizar ou vai adiar o leilão, marcado para segunda-feira. Hoje os chineses anunciam oficialmente que não vão entrar se o leilão acontecer na semana que vem. Franceses e espanhóis já fizeram o mesmo. Alemães e japoneses não devem fazer anúncio oficial, mas é dado como certo que estão fora. Com isso, o leilão poderia ser vazio. Não teria os três consórcios que o governo vem afirmando estarem certos. O custo estimado do projeto é de R$ 33,1 bilhões. Os coreanos vinham garantindo que entregariam proposta. No entanto, parceiros brasileiros informaram ontem que não entrarão. Eles não teriam recursos garantidos para formar o capital social da empresa privada do trem-bala, que será de pelo menos R$ 7 bilhões. Segundo fontes do mercado, as empresas nacionais tinham acordado que entrariam com R$ 2 bilhões. As coreanas colocariam até R$ 2,5 bilhões. Ainda faltava R$ 1 bilhão para fechar o consórcio, que já estava contando que os fundos de pensão entrariam depois do leilão com mais R$ 1,5 bilhão por meio da Invepar (empresa em que Previ, Petros e FunCEF são sócios com a construtora OAS). Via assessoria, o grupo diz que vai apresentar proposta e que teria hoje 19 empresas garantidas, mas não divulgará quais são. SEM RECURSOS O Grupo Bertin desistiu oficialmente de compor o consórcio coreano porque teria dificuldades de levantar recursos no mercado para participar. O motivo principal do recuo é que duas empresas do grupo (Contern e Cibe) estão entre os vencedores do leilão da concessão dos trechos sul e leste do Rodoanel de SP. Como a concessão vai investir R$ 5 bilhões, o Bertin está "sufocado" e não teria fôlego para se comprometer com o trem-bala. O alto desconto dado pelo consórcio, chamado SPMar, na tarifa do pedágio dos dois trechos -deságio de 63,35%- também provocou temores de baixo retorno da concessão. Ontem mesmo, o consórcio coreano começou a buscar outra grande empresa para fechar o buraco deixado pelo Bertin. Consultores passaram a tarde em contatos com eventuais interessados. No entanto, terão que convencer as outras empresas a voltar ao negócio, já que elas se consideram fora.
|
| MINHA SELEÇÃO |
|
|
| DF • 24/11/2010 • CONCORRÊNCIA |
CIDADES
CORREIO BRAZILIENSE (DF)
BB e CEF juntos. Agora vai
Diego Amorim Foram seis anos de avanços e recuos. Mas, finalmente, a Cidade Digital deverá sair do papel. As duas instituições anunciaram o início do Complexo Datacenter, que atenderá a ambas e representará um investimento de R$ 262 milhões, com conclusão prevista para 2012 Depois de muitas promessas e lançamentos de pedras fundamentais, o Parque Tecnológico Cidade Digital terá a sua primeira obra. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciaram esta semana o início da construção do Complexo Datacenter BB-Caixa, o projeto-âncora do futuro polo de tecnologia da informação (TI) de Brasília, que começou a ser discutido em 2004. O centro de processamento e armazenagem de dados das duas instituições ocupará uma área de 29 mil metros quadrados e, de acordo com o contrato, deve ficar pronto no segundo semestre de 2012. O datacenter tem investimento inicial de R$ 262 milhões e será erguido por meio de uma parceria público-privada (PPP) do governo federal. O consórcio GBT, composto pelas empresas GCE, Termoeste e BVA, venceu a concorrência e cuidará do projeto, cujo valor total alcança R$ 880 milhões — R$ 660 milhões do Banco do Brasil e R$ 220 milhões da Caixa. O montante inclui a infraestrutura e a manutenção do prédio e será desembolsado ao longo de 15 anos. A terraplanagem do terreno já foi feita. As máquinas começam a trabalhar no local em duas semanas. A obra obedecerá padrões internacionais de segurança. “Pode faltar água, luz ou mesmo cair um avião de médio porte que nada para de funcionar no prédio. Será um verdadeiro bunker”, compara o especialista em tecnologia da informação da Caixa Iraci José Barbosa. As principais informações dos dois Bancos ficarão armazenadas em máquinas instaladas no prédio, livres de qualquer interferência externa. As especificações de energia elétrica, o sistema de refrigeração, o tipo de construção: tudo no datacenter é pensado de forma a tornar o ambiente superprotegido. Sustentabilidade O projeto do complexo também se enquadra no conceito de sustentabilidade. O layout do prédio favorece a racionalização dos sistemas de ar e refrigeração. O nível de permeablilização do solo será de 65%, 30% a mais do que o exigido pela legislação ambiental. O local contará ainda com geradores antipoluentes, além de uma cobertura com uma técnica que reduz a carga térmica e o consumo de energia. Apesar de cada banco ter o seu espaço definido no datacenter, ambos compartilharão infraestrutura e serviços como segurança. A sinergia ajudará as duas instituições a conter despesas. Atualmente, a base de dados da Caixa está distribuída por dois prédios em Brasília — nas quadras 507 e 511 Norte —, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. A ideia é concentrar as principais informações no parque da capital federal e em um novo espaço a ser construído no Setor de Indústrias Gráficas (SIG) — o edital de licitação da obra deve ser lançado na semana que vem. O atual centro de tecnologia do Banco do Brasil, no fim da Asa Norte, não será desativado, mas boa parte do que é armazenado ali será transferido para o datacenter. O prédio que marcará a ocupação oficial da Cidade Digital é resultado de cinco anos de negociações. A expectativa é que não haja novos atrasos na execução do projeto. Ao fim dos 15 anos da parceria com as empresas vencedoras da concorrência, tudo pertencerá aos Bancos estatais, na proporção do gasto realizado. O gerente executivo do BB e presidente do consórcio do datacenter, Jesualdo Conceição da Silva, destaca a importância do projeto para a cidade. “Brasília será uma referência em tecnologia da informação. Vamos ter um celeiro de recursos nessa área”, diz. Contrapartida Com as PPPs, governo e empresas se unem para desenvolver projetos e realizar obras em áreas essenciais sem que o Estado desembolse grandes volumes de recursos públicos de imediato. O parceiro privado fornece serviços, precedidos ou não de obras, sem ônus inicial para o governo. O retorno financeiro para as empresas ocorre a longo prazo. Expressão de guerra Bunker é um termo militar usado para caracterizar uma instalação fechada e fortificada, construída para conter os projéteis inimigos. Originalmente, era a designação, em língua inglesa, dos paióis de carvão blindados de navios de guerra. A expressão se popularizou na Segunda Guerra Mundial. PARA SABER MAIS Polo com espaços definidos A área que vai abrigar o Parque Tecnológico Capital Digital, próxima à Granja do Torto, teve registro em cartório em outubro do ano passado. Era o último obstáculo à criação do polo tecnológico, empreendimento que criará mais de 80 mil empregos. A crise política, no entanto, adiou os planos. O governador eleito, Agnelo Queiroz (PT), prometeu, durante a campanha, dar continuidade ao projeto. O investimento para construir a Cidade Digital girava, inicialmente, em torno de R$ 3 bilhões. Para viabilizar o negócio, o governo pretendia atrair grupos e empresários nacionais e internacionais. O registro em cartório inclui um lote para o datacenter da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil; um terreno para a administração do parque e para a sede da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal; uma área para a construção de uma subestação da Companhia Energética de Brasília (CEB); um lote onde será construída uma escola técnica, em parceria com o Ministério da Educação; e o principal terreno, de 960 mil metros quadrados, que deve ser licitado a uma única empresa ou consórcio, que ficará responsável por alugar e gerir os espaços.
|
| DF • 24/11/2010 • CONCORRÊNCIA |
EM QUESTÃO
EM QUESTÃO (DF)
Iniciada a construção do Complexo Datacenter BB-Caixa
A construção do Complexo Datacenter BB-Caixa, localizado no Parque Tecnológico Capital Digital em Brasília, começou com o lançamento da pedra fundamental da obra na terça-feira. Trata-se da execução da primeira Parceria Pública Privada (PPP) na modalidade de Concessão Administrativa do governo Federal. O projeto tem como finalidade assegurar a continuidade dos negócios dos Bancos mesmoemcasosdedesastres, além de garantir o cumprimento de normas de segurança internacionais. O prazo de construção é de dois anos, com término previsto para o segundo semestre de 2012. O investimento inicial é de R$ 260 milhões, a ser feito integralmentepela GBT S/A, empresa de propósito específico, constituída pelasempresasGCE,TermoesteeBVA,vencedorasda concorrência. O ComplexoDatacenterteráuma área construída de 29 mil m², com espaços específicos para o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e para o gestor do projeto. O valor total da obra, incluindo a infraestrutura predial, manutenção eserviços condominiais é de cerca de R$ 880 milhões, sendo R$ 660 milhões doBancodo Brasil e R$ 220 milhões da Caixa Econômica Federal, desembolsados ao longo de 15 anos.
|
| SP • 24/11/2010 • CONCORRÊNCIA |
INVESTIMENTOS
VALOR ECONÔMICO (SP)
BNDES finaliza venda de ações na Telemar
A BNDESPar, braço de participações do BNDES, concluiu a transferência de uma participação de 14,47% na Telemar Participações, controladora da Oi, aos fundos de pensão Petros, de funcionários da Petrobras, e FunCEF, de empregados da Caixa Econômica Federal. A operação se deu em dois leilões em 17 de junho, dentro de uma reorganização societária, mas a transferência só foi concluída agora porque dependia da conclusão de etapas previstas nos editais, como a celebração de contrato de compra e venda e o aval da Anatel. A conclusão foi na quinta-feira. Com o fim da transação, o BNDESPar passa a ter 16,89% do capital com direito a voto da holding controladora, enquanto Petros e FunCEF ficam, cada um, com uma fatia de 10%. Na reorganização em que a Portugal Telecom entrará no capital da Telemar Participações, essa fatia deve cair. No leilão, foram vendidos 197,3 milhões de ações para a FunCEF e 198,7 milhões para a Petros. Os papéis foram leiloados em conjunto com uma quantidade igual de ações da CTX Participações, controladora da Contax. No leilão, o BNDESPar levantou R$ 891 milhões. A venda dos papéis se deu por meio de leilão para permitir a intervenção de outros interessados, que obrigatoriamente teriam que fazer a oferta pelos lotes completos, sem divisão. Como isso não ocorreu, os fundos de pensão ficaram com os papéis, como já estava Previsto nos editais dos leilões. Tanto a Petros quanto a FunCEF informaram que a aquisição visa retornos de longo prazo na companhia de telecomunicações e não tem a finalidade de alterar a composição de controle ou a estrutura administrativa da sociedade.
|
| PR • 24/11/2010 • Concorrência |
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
PARANÁ-ONLINE (PR) • 05:19:18
Depósitos judiciais devem ser feitos em banco oficial
Conselho Nacional de justiça apurou uma série de irregularidades do TJ em torno dos depósitos judiciais. O Conselho Nacional de justiça (CNJ) determinou ontem que o Tribunal de justiça do Paraná (TJ-PR) transfira, em caráter imediato, os depósitos judiciais que hoje se encontram no Banco Itaú para uma instituição financeira oficial, que pode ser a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil. O procedimento de controle administrativo aberto para apurar a questão foi aprovado em sessão ordinária do CNJ, na qual também foi decidido que será aberta uma sindicância para apurar os responsáveis pela série de irregularidades apontadas no voto do conselheiro do CNJ e relator do caso, Walter Nunes. Entre os pontos levantados tinha até brindes para comemorações do TJ que foram adquiridos por meio do Itaú. Segundo o relator, existe uma série de irregularidades em torno dos depósitos judiciais do TJ-PR no Itaú, que começaram no ano 2000, após a compra do Banco do Estado do Paraná (Banestado) pela instituição privada. Na ocasião, o TJ-PR manteve no Itaú os depósitos judiciais que, antes da privatização, estavam no Banestado. A decisão foi tomada com base na medida provisória nº 2.192-70 de 2001, que não exigia a transferência desses recursos para um banco oficial. No entanto, mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou, em 2006, a medida provisória inconstitucional, o TJ-PR manteve os recursos no banco privado. Além disso, o CNJ considera como falha um acordo firmado entre o TJ-PR e o Itaú pelo qual os depósitos judiciais seriam remunerados pelos índices da caderneta de poupança. Com esse trâmite, o banco converteria essa remuneração em obras e compras de bens em favor do tribunal. Assim, o Itaú utilizou recursos públicos em várias aquisições sem licitação. De acordo com o CNJ, foram gastos R$ 39,2 milhões entre 2001 e 2006, configurando "grave irregularidade", nas palavras do relator. De acordo com o conselheiro Walter Nunes, houve irregularidade também na destinação dos bens comprados pelo banco privado. "Vários bens não tinham qualquer relação com a finalidade precípua do Poder Judiciário", disse Nunes, informando que as aquisições incluem brindes para comemorações no TJ-PR e produtos que foram doados para uma creche do Paraná. A reportagem de O Estado insistiu para conseguir uma entrevista com o presidente do TJ-PR, Celso Rotoli de Macedo, para repercutir as conclusões do CNJ, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. No governo do Estado existe outra discussão em torno de Bancos públicos e privados, que diz respeito à movimentação das contas de aposentados e pensionistas. O anúncio feito pelo governador Orlando Pessuti (PMDB) sobre o início da negociação com a direção da Caixa para renovar o contrato dos convênios mantidos com o banco estatal causou protestos na Assembleia Legislativa. Aliados do tucano Beto Richa defendem que o próximo governo tem direito de abrir licitação para entregar as contas a uma instituição que ofereça uma compensação financeira pelo negócio. A CEF realiza o pagamento dos servidores atendidos pelo Paranaprevidência desde 2005, quando o ex-governador Roberto Requião (PMDB) anulou a exclusividade do Banco Itaú operar as contas do governo. A decisão sobre a escolha do banco tem que ser feita até o próximo dia 31.
|
| PR • 24/11/2010 • CONCORRÊNCIA |
VIDA PÚBLICA
GAZETA DO POVO (PR)
CNJ manda TJ tirar dinheiro do Itaú e vê uso irregular de verba
Tribunal estaria usando conta de banco particular para fazer gastos sem licitação, segundo conselho. Movimentação foi de R$ 39,2 milhões em seis anos
O Conselho Nacional de justiça (CNJ) determinou ontem que o Tribunal de justiça (TJ) do Paraná retire do banco Itaú todo o dinheiro dos depósitos judiciais feitos no estado. Os recursos terão de ser colocados em algum banco público do país. O CNJ também constatou irregularidades na aplicação do dinheiro e mandou abrir uma sindicância para saber de quem é a responsabilidade pelos erros. Segundo o conselho, o dinheiro da conta do Itaú, de onde saíram R$ 39,2 milhões em seis anos, era gasto sem licitação. Até 2000, o TJ paranaense mantinha no Banestado o dinheiro dos depósitos. Com a privatização do banco, a decisão foi de deixar a verba no Itaú, que comprou o Banestado. Isso era permitido por uma medida provisória de 1992 que tratava do tema. No entanto, desde 2006 o Supremo Tribunal Federal já deixou claro que a MP é inconstitucional. Rio de Janeiro e Minas Gerais já foram obrigados a tirar suas contas de Bancos privados. Atual presidente do TJ, o desembargador Celso Rotoli de Macedo preferiu não se pronunciar sobre a decisão, até por não ter sido notificado oficialmente. No entanto, por meio de sua assessoria afirmou que os depósitos já são feitos apenas em Bancos oficiais, havendo apenas um valor “residual” no Itaú, que já estaria sendo removido para Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O Fundo Judiciário tem hoje cerca de R$ 49 milhões. Não há informações disponíveis sobre quanto está em cada banco. Investigação Fiscalização de obra do Anexo não passou por licitação A obra do Anexo do Palácio da justiça, em Curitiba, investigada pelo CNJ por denúncia de irregularidade, teve parte de seu custo pago com dinheiro do Itaú. A fiscalização da obra, que custou R$ 1,5 milhão, foi paga com dinheiro depositado no banco, com dispensa de licitação. Essa foi uma das possíveis irregularidades apontadas pela Comissão de Obras do próprio Tribunal de justiça do Paraná em seu relatório sobre a construção, que custou R$ 48 milhões. A obra foi posta em suspeição pelo Tribunal de Contas e pela Comissão de Obras do TJ, que apontou indícios de superfaturamento e licitação dirigida. A contratação da empresa Globo, da Bahia, para fiscalizar a construção, também foi contestada. A empresa apresentou preço maior do que a concorrente consultada. Como não se tratava de uma licitação, porém, foi escolhida. A empresa era a mesma que havia assinado o projeto do Anexo. As investigações sobre a obras foram arquivadas pelo TJ, mas dois desembargadores solicitaram que o CNJ revisse a decisão. O caso está nas mãos do conselheiro Walter Alves. (RWG) Para André Barbi, advogado especializado em Direito Administrativo, a decisão de ontem do CNJ era esperada. “O STF tem uma posição bastante conservadora sobre o tema. Há quem acredite que é possível mudar esse entendimento, permitindo o depósito em banco privado quando houver vantagem, mas hoje isso não é permitido.” Eleito para presidir o TJ a partir do ano que vem, o desembargador Miguel Kfouri Neto afirma não acreditar haver problemas no depósito em banco privado. “Sou favorável a que Bancos privados recebam os depósitos do TJ caso tenham garantias seguras, como títulos da Dívida pública”, afirmou. No entanto, ele diz que, como gestor, seguirá a determinação do CNJ. Licitações De acordo com o CNJ, o TJ usou a conta no Itaú para fazer obras sem realização de licitações. Desde 2001 até 2006, de acordo com o levantamento divulgado, teriam sido usados R$ 39,2 milhões desta conta. O gasto sem licitação constitui, segundo o conselho, uma “grave irregularidade”. A sindicância que o CNJ determinou que seja instalada deve apurar a responsabilidade sobre o erro. O acordo entre o TJ e o Itaú previa que o banco remuneraria os investimentos feitos pelo Judiciário pelas taxas de caderneta de poupança. O valor era usado para compras do tribunal ou pagamentos de obras. No entanto, como não era dinheiro do Funrejus, o fundo usado oficialmente para reequipamento do Judiciário, havia um entendimento de que não era necessário fazer licitação para decidir o destino do dinheiro. Sobre a falta de licitação, Kfouri Neto afirmou ontem que todas as movimentações são auditadas e fiscalizadas pelo Tribunal de Contas “com rigor”. O presidente eleito disse ainda que a verba atualmente tem sido usada apenas para a contratação de funcionários. De acordo com o conselheiro Walter Nunes, do CNJ, também foram detectadas irregularidades na destinação dos bens adquiridos com o dinheiro depositado no banco Itaú. “Vários bens não tinham qualquer relação com a finalidade precípua do Poder Judiciário”, disse Nunes. As compras, segundo o conselheiro, incluíam brindes para comemorações no tribunal e produtos que foram doados para uma creche do Paraná. * * * * * *
|
| MG • 24/11/2010 • DESTAQUES CAIXA |
POLÍTICA
O TEMPO (MG)
Cúpula econômica do governo Dilma vai ser anunciada hoje
Brasília. A presidente eleita, Dilma Rousseff, deverá anunciar hoje os primeiros nomes da equipe de seu governo. As confirmações devem começar pelo núcleo da equipe econômica, formado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, mais a presidência do Banco Central (BC). Mas a presidente eleita poderá anunciar ainda alguns cargos de sua cota pessoal, como os ocupantes da Secretaria Geral da Presidência da República e da Casa Civil. Do núcleo econômico, Guido Mantega é o único que deve ficar no lugar em que está, no comando da pasta da Fazenda. Já no Planejamento, Dilma vai fazer mudança. Miriam Belchior, atual coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deve ser a escolhida. Pessoa de confiança de Lula, ela já vem participando de reuniões periódicas com a presidente eleita. A confirmação do nome de Miriam também indica a saída do comando do PAC e do programa "Minha Casa Minha Vida" da Casa Civil. Para a presidência do Banco Central (BC), o escolhido deverá ser o atual diretor de Normas da instituição, Alexandre Tombini. Ele assumirá a vaga de Henrique Meirelles, que até estava cotado para permanecer no cargo. Mas, após ele declarar que só ficaria se a autonomia do BC fosse mantida, Dilma mudou de ideia e decidiu trocar o comando da instituição. A mudança no BC foi um dos motivos para que o anúncio da área econômica fosse feito ainda nesta semana. Os mercados reagiram mal às informações de que Meirelles seria substituído, o que foi, inclusivo, tema de uma reportagem ontem no jornal britânico "Financial Times". Pessoal. A expectativa é grande também para a confirmação de outros cargos, considerados de confiança do presidente, por ficarem também no Palácio do Planalto. É certo que Antonio Palocci ocupará uma dessas cadeiras bem próximas a Dilma Rousseff. A presidente eleita ainda não teria definido em qual Palocci sentará. Em princípio, a ideia dela era de fazer uma reformulação na Casa Civil e na Secretaria Geral da Presidência, trocando atribuições de seus ocupantes para funções mais administrativas e de assessoria jurídica. Mas Dilma ainda não confirmou essas mudanças. Receita. Uma das preocupações de Dilma agora é a escolha de um substituto para o atual secretário da Receita Federal, Otacílio Dantas Cartaxo. Sua permanência no cargo sofreu desgaste com a quebra ilegal do sigilo fiscal de tucanos dentro da Receita - para Dilma, Cartaxo perdeu as rédeas do caso. Ele também deixou de adotar medidas de redução de gastos públicos. A presidente eleita estaria atrás de alguém com trânsito e respeito no mercado financeiro. Viagem Rapidez. A presidente eleita, Dilma Rousseff, tem que anunciar os ministros antes da viagem para Georgetown, na Guiana, amanhã, para o encontro da União das Nações Sul-americanas (Unasul).
|
| DF • 24/11/2010 • DESTAQUES CAIXA |
GERAL
JORNAL DA CÂMARA (DF)
Pinga-Fogo - PanAmericano
Paes de Lira (PTC-SP) registrou a declaração do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que o aporte de R$ 2,5 bilhões ao Banco Panamericano não é dinheiro público. Mas lembrou que a Caixa Econômica Federal adquiriu 49% do Panamericano em 2009, após MP aprovada pelo Congresso. “Uma MP que se destinava nuclearmente a permitir que a Caixa adquirisse participação societária em entidades financeiras privadas”, declarou.
|
| SP • 24/11/2010 • CONCORRÊNCIA |
SUPLEMENTOS
VALOR ECONÔMICO (SP)
Avaliação contínua dos investimentos eleva rendimentos
Gustavo Lendimuth, do Hsbc: uma consultoria atuante precisa se antecipar às necessidades dos clientes
A popularização dos fundos de previdência privada no Brasil avança a passos largos. Segundo dados da Federação Nacional de previdência Privada e Vida (FenaPrevi), que reúne seguradoras e 15 entidades abertas de previdência complementar, divulgados no terceiro trimestre deste ano, existem 12 milhões de contratos de planos previdenciários ativos. Esse montante representa um crescimento de 16,34% na comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento também revela que os planos individuais cresceram 24,55% e atingiram arrecadação de R$ 9,5 bilhões, em comparação aos R$ 7,6 bilhões registrados em igual período de 2009. Os planos corporativos arrecadaram R$ 1,2 bilhão e os planos para menores, por sua vez, responderam por R$ 350 milhões da arrecadação. Como os planos de previdência são de longo prazo, há uma tendência a esquecê-los numa gaveta após a aquisição. Mas, no decorrer da vida, mudam cenários previstos, sonhos e desejos de conquistas. Assim, não basta refletir sobre o modelo de tributação (regressivo ou progressivo), sobre o produto escolhido (PGBL ou VGBL) e a carteira de investimentos (de renda fixa e ações) somente quando se contrata um plano desses. É necessário fazer avaliações periódicas. De um modo geral a recomendação dos especialistas é que se faça uma reavaliação anual ou a cada modificação significativa na vida, como, por exemplo, o casamento e o nascimento de um filho. O diretor de Produtos de previdência e Investimentos da Icatu Seguros, Luis Martinez, diz que não se pode deixar passar dez anos para se perceber que poderia ter sido feito uso da tabela regressiva do imposto de Renda, por exemplo. "Pode-se achar inicialmente que será necessário maior liquidez, quando o objetivo é sacar um fundo em dois anos, e, portanto, se optar por um produto com tabela progressiva (15% de imposto no ato do resgate e sujeição a um ajuste na declaração de IR). Mas, passando esse prazo, e se o cliente percebe que mudou de patamar de renda e que pode deixar o capital investido por um tempo maior, deve-se fazer a opção pela regressiva (o IR recua gradativamente até atingir 10% em dez anos) para não perder dinheiro." Martinez alerta para o fato de que essa mudança precisa ser bem pensada, já que não se pode fazer a alteração ao contrário (da regres
|
| Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL |
FOLHA DE SÃO PAULO (SP) • DINHEIRO • 25/11/2010 • DESTAQUES CAIXA
Atraso do BC evita que Caixa pague rombo do PanAmericano
Responsabilidade solidária só é válida após a posse da estatal no conselho do banco privado
DE BRASÍLIA
A demora do Banco Central em aprovar a entrada da Caixa no controle do banco Panamericano evitou que a estatal tivesse de arcar com parte do rombo de R$ 2,5 bilhões nas contas da instituição privada. A presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, disse que enviou ao BC, em agosto, documentos para concluir a compra de 49% do Panamericano. O BC, no entanto, só aprovou a entrada da Caixa no conselho em novembro, depois de o Grupo Silvio Santos obter o empréstimo para sanear as contas da instituição. Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, somente a partir do momento em que a Caixa tomou posse no conselho e na diretoria do Panamericano é que o banco passou a ter responsabilidade solidária pelo negócio. Desde julho, o BC sabia das "inconsistências" nos dados sobre vendas de carteiras de crédito, mas ainda não havia identificado qual instituição era responsável pelo problema. AUDIÊNCIA PÚBLICA Maria Fernanda e Meirelles participaram ontem de audiência pública no Senado. A presidente da Caixa disse ter seguido todas as obrigações legais para verificar se o Panamericano não tinha problemas. Afirmou também que espera uma resposta das auditorias contratadas para saber se houve omissão por parte dessas empresas. Ela negou que a Caixa tenha tido prejuízo por ter comprado o banco quando suas ações valiam o dobro da cotação atual. "A Caixa não comprou como um especulador. Ela comprou como um planejamento estratégico e avalia que isso vai trazer o retorno esperado", afirmou. Meirelles disse que ainda é cedo para saber quem falhou e para avaliar se é preciso mudar a forma como o BC fiscaliza os Bancos. Completou, no entanto, que o governo não pode arcar com os custos de uma grande equipe de auditoria e com os riscos de se responsabilizar por dados divulgados pelo setor privado. "O que custaria aos cofres públicos evitar que o controlador do banco tivesse prejuízo? E qual a viabilidade técnica de uma supergalática auditoria, com o BC auditando todas as instituições financeiras do país?"
CORREIO BRAZILIENSE (DF) • ECONOMIA • 25/11/2010 • DESTAQUES CAIXA
Por pouco, Caixa se safa de prejuízo
Atraso do Banco Central em avaliar o processo de compra do PanAmericano impediu que CEF tivesse de pagar por parte de rombo

Victor Martins A Caixa Econômica Federal (CEF) escapou de um prejuízo bilionário. Não fosse a lentidão do Banco Central para avaliar a compra de parte do Panamericano, o banco público teria de arcar com pelo menos metade dos R$ 2,5 bilhões em aberto nas contas da financeira de Silvio Santos. O presidente do BC, Henrique Meirelles, porém, admitiu durante audiência no Senado que houve erro no processo que culminou na aquisição, mas se eximiu de culpa e liberou a Caixa de qualquer responsabilidade. Passou o abacaxi para as empresas de auditoria, que estão sob investigação do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal e da própria autoridade monetária. Na avaliação de Meirelles, o BC cumpriu seu papel. Ele disse ainda ser inviável criar uma estrutura para fiscalizar todos os Bancos. “O custo de se ter uma auditoria paralela para todo o sistema financeiro seria enorme. O BC seria uma supergaláctica empresa de auditoria”, declarou. “Em relação às empresas contratadas para avaliar as contas do Panamericano, algo aconteceu de errado. O que se tem de avaliar, e os órgãos competentes estão fazendo isso, é quais foram as falhas e punir os culpados”, disse. Segundo parlamentares que participaram da audiência, o Banco Fator e as empresas subcontratadas por ele para avaliar a contabilidade da financeira teriam induzido a Caixa a erro. Defensiva O Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) contestou as alegações de Meirelles e deixou em saia justa a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, que ficou durante todo o evento na defensiva. Segundo Dias, já era sabido que o Panamericano passava por problemas financeiros antes de ser parcialmente vendido ao banco público. “O mercado financeiro já reclamava que havia algo de errado”, afirmou. A presidente da Caixa rebateu as críticas. “É um desafio da instituição crescer. Foi apenas uma decisão empresarial”, argumentou Maria Fernanda. Os governistas presentes fizeram coro a Meirelles e à mandatária do banco público, afirmaram que a ex-administração do Panamericano enganou até mesmo a bolsa de valores. “O Panamericano abriu capital, buscou recursos no exterior e tudo isso exigiu um enorme grau de demonstração”, afirmou Maria Fernanda. “A Caixa não considera que perdeu”, concluiu. Prejuízo A despeito das argumentações da presidente da Caixa, as ações do Panamericano adquiridas pelo banco governamental desabaram e o prejuízo estimado ficou em cerca de R$ 300 milhões após o escândalo da maquiagem na contabilidade tornar-se público. Caso o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não tivesse emprestado os R$ 2,5 bilhões a Silvio Santos para recompor o capital da instituição financeira, os quase R$ 740 milhões investidos pela Caixa teriam virado pó. Meirelles e Maria Fernanda afirmaram ainda que o Panamericano nunca parou de atuar. Mesmo no auge do escândalo continuou a emprestar e arrecadar investimentos. “Nunca houve uma corrida bancária”, disse o presidente do BC apesar de informações que dão conta de R$ 250 milhões em saques de investidores que estavam com medo de perder seus investimentos. A credibilidade da financeira de Silvio Santos também espantou os sócios. Em 18 de novembro, o Panamericano anunciou que seu sócio americano, o Grupo Leeg Manson, alienou as ações que detinha em favor do controlador Silvio Santos. O grupo possuía 6,87% dos papéis preferenciais da financeira e receava que a Caixa Econômica não conseguisse reorganizar o banco privado. Preferiu não bancar o risco de ter seus investimentos reduzidos a nada. Ontem, mesmo com a audiência no Senado para explicar o ocorrido com o Panamericano, as ações do banco continuaram a derreter e amargaram queda de 0,42% no dia. No ano, a cotação caiu 53,87% e a ação era negociada, até o fechamento do pregão de ontem, a R$ 4,79.
GAZETA DE NOVO (PR) • GERAL • 25/11/2010 • DESTAQUES CAIXA • 04:23:00
Senadores estranham auditoria não ter detectado rombo bilionário no Panamericano
- Quem falhou? É preciso encontrar um responsável pelo super valor que a Caixa pagou ao Panamericano. A responsabilidade é grande, porque são milhões de reais e a Caixa é um banco público - afirmou Antonio Carlos Júnior. O Senador Alvaro Dias (PSDB-PR) avaliou que a insolvência do Panamericano "tem origem em uma gestão temerária e fraudulenta". Mas, por suspeitar do envolvimento de aspectos políticos nessa compra, indagou: por que a Caixa entrou nesse negócio e porque levou tanto tempo para começar a administrá-lo? - Como é possível comprar um banco [a operação se iniciou no final de 2008] e só dois anos depois [outubro de 2010] descobrir uma fraude de mais de R$ 2 bilhões? É, no mínimo, um caso de negligência, omissão ou gestão temerária da coisa pública - sentenciou. As considerações de Alvaro Dias foram endossadas pelo Senador Alfredo Cotait (DEM-SP). O parlamentar também se mostrou surpreso com o tempo que a Caixa levou para tomar conhecimento do desfalque nas contas do Panamericano. Em seguida, o Senador Jayme Campos (DEM-MT) questionou a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, sobre o que vem sendo feito para evitar a "sangria" de recursos no Panamericano, diante dos resgates antecipados de investimentos. Maria Fernanda Coelho assegurou que o Panamericano continua recebendo demanda de crédito e que seria possível implementar, de forma consistente, o plano de negócio já elaborado pela Caixa.
O GLOBO (RJ) • ECONOMIA • 25/11/2010 • CONCORRÊNCIA
BC não pode fazer auditoria supergalática, diz Meirelles
Presidente do Banco Central defende atuação na venda do PanAmericano para Caixa Econômica
BRASÍLIA. Em audiência conjunta das comissões de Assuntos econômicos (CAE) e de Constituição e justiça (CCJ) no Senado, para falar sobre o caso do banco Panamericano, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou que a autoridade monetária não pode assumir a responsabilidade pela avaliação de eventuais fraudes que instituições financeiras possam enfrentar em um momento de possíveis aquisições. Segundo Meirelles, o BC não pode ser avalista dessas operações, pois criaria um risco moral. - Se o BC fosse responsável por todas essas funções, teria que fazer uma auditoria supergalática - disse Meirelles, que será substituído por Alexandre Tombini no comando do BC. Caixa quer ampliar atuação e estuda quatro projetos As fraudes no Panamericano provocaram um rombo de R$2,5 bilhões. Também esteve na audiência a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho. A estatal comprou cerca de 35% do Panamericano, que era controlado pelo Grupo Silvio Santos. Maria Fernanda argumentou que a Caixa não falhou nessa aquisição e defendeu que o banco tem o mesmo perfil que a estatal, voltado para clientes de baixa renda, sobretudo com financiamento de veículos e crédito consignado, com desconto em folha de pagamento. - A Caixa considera que cumpriu rigorosamente as regras de governança na compra do Panamericano - afirmou a presidente, evitando apontar responsáveis pela demora em perceber as fraudes que, segundo o próprio BC, poderiam estar ocorrendo há quatro anos. Meirelles também defendeu que o BC cumpriu todos os prazos legais para a conclusão do processo do Panamericano. Maria Fernanda informou ainda que a Caixa está analisando quatro projetos para ampliar sua atuação do mercado, que também envolvem aquisições. Sem dar detalhes, ela disse que a estatal pode atuar na área de tecnologia bancária e securitização. E lembrou que, recentemente, a Caixa mostrou interesse em fechar parcerias com Banco do Brasil (BB) e Bradesco em uma nova bandeira de cartões, chamada Elo: - A Caixa pretende continuar crescendo no mercado - disse. (Patrícia Duarte)
O ESTADO DE SÃO PAULO (SP) • ECONOMIA • 25/11/2010 • DESTAQUES CAIXA
Caixa escapou de perder R$ 700 mi no Panamericano
Como a aprovação da nova diretoria do Panamericano pelo BC demorou, Caixa não teve de dividir a conta da quebra do banco

Edna Simão / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem sobre o escândalo do Banco Panamericano, que o trabalho de fiscalização da autoridade monetária tem como objetivo evitar risco sistêmico e isso não deve ser confundido com trabalho de auditoria. Para ele, se o BC tivesse que desempenhar essa função, além dos elevados custos para os cofres públicos, seria necessário um exército de auditores para analisar todo o sistema financeiro. "Seria uma supergalática empresa de auditoria do BC auditando todas as empresas financeiras do Brasil. Não há viabilidade para isso", disse Meirelles, durante audiência pública no Senado para explicar a operação de compra de parte do Panamericano pela Caixa. Também esteve presente a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho. A demora do BC em aprovar a nova diretoria do Panamericano impediu que a Caixa também tivesse que aportar recursos para ajudar a cobrir o rombo de R$ 2,5 bilhões na instituição financeira, que teve 49% de suas ações adquiridas pelo banco público em dezembro do ano passado. "O problema foi detectado e solucionado a tempo, antes da aprovação final do BC dessa fusão, antes do BC aprovar a posse dos diretores e conselheiros. A partir daí é que se institui a responsabilidade solidária da Caixa ao passivo do banco. E isso vai além de R$ 700 milhões", afirmou Meirelles. Em dezembro, a Caixa, por meio do braço financeiro CaixaPar, pagou R$ 739,2 milhões por 49% do controle acionário do Panamericano. O negócio foi firmado após passar por várias auditorias internas e externas. A aprovação do BC, no entanto, só veio em julho. Para acelerar a entrada no Panamericano, em agosto, a Caixa enviou à autoridade monetária toda a documentação, inclusive nomes da diretoria, para a conclusão do negócio. Para sorte da Caixa, a BC só aprovou a posse da nova diretoria em novembro - um dia após ter sido injetado recursos no Panamericano para que fosse resolvido o problema das "inconsistências patrimoniais". Ou seja, demorou três meses para aprovação. Segundo um técnico do BC, não houve demora na aprovação dos nomes para o Panamericano porque há burocracia no processo. Na avaliação do técnico, autoridade monetária só poderia levar adiante o processo quando o problema no Panamericano estivesse totalmente resolvido. A existência de ""inconsistências patrimoniais"" do Panamericano, após passar por várias auditorias e também por fiscalização do BC, colocou em dúvida principalmente o papel das empresas que fazem consultoria no país. O o presidente Meirelles reforçou que não houve falhas por parte do BC que foi a primeira a descobrir as irregularidades nas contas. Mas deixou claro que houve uma falha e a responsabilidade deve ser identificada nos processos que foram abertos no BC e no Ministério Público. Defesa. A presidente da Caixa saiu em defesa do banco público. "Não houve, por parte da instituição, falha no processo de aquisição", disse, acrescentando que a CaixaPar, braço financeiro da Caixa, interpelou extrajudicialmente o Banco Fator, um dos auditores da operação com o Panamericano, para resguardar os interesses da instituição pública. Apesar de Senadores questionarem o fato de que a Caixa perdeu dinheiro com a aquisição do banco do Silvio Santos, Maria Fernanda discordou. Para ela, o Panamericano será importante para o crescimento da instituição em áreas onde a participação é pequena, como é o caso de financiamento de carros, leasing e consignado. "A Caixa não considera que perdeu, não comprou do ponto de vista de especulador. Comprou com base no planejamento estratégico", destacou. "A recuperação patrimonial (do Panamericano) é factível. É possível implementar o Plano de Negócio para que a Caixa passe a ter o retorno e a resposta esperada", disse.
CORREIO BRAZILIENSE (DF) • POLÍTICA • 25/11/2010 • DESTAQUES CAIXA
Autonomia do Banco Central preservada
Ao novo titular do cargo, a presidente eleita garantiu que a autoridade monetária continuará livre para definir metas de inflação e taxa de juros

Tiago Pariz A presidente eleita, Dilma Rousseff, garantiu que o Banco Central terá total autonomia operacional. O recado, direcionado ao mercado financeiro, que flertava com especulações sobre o caráter da autoridade monetária a partir de 1º de janeiro, foi dado pelo economista e servidor de carreira do BC Alexandre Tombini, indicado para ocupar a Presidência da instituição.Tombini, que precisa ser sabatinado pelo Senado para ser confirmado no cargo, disse que não haverá interferência na condução da política implementada pelo BC. “Tive longas conversas com a presidente eleita no processo de escolha e ela me disse que, no regime de metas de inflação, não há meia autonomia, é autonomia total”, afirmou o economista, que hoje ocupa a diretoria de Normas. Outra meta apresentada por Dilma a Tombini é manter o protagonismo do Brasil nas discussões sobre regulação do sistema financeiro internacional dentro do Banco de Compensações Internacional (BIS, na sigla em inglês). “O Banco Central precisa continuar contribuindo com o protagonismo que o Brasil assume há algum tempo”, emendou. Tombini ajudou a implementar, em 1999, o regime de metas de inflação, ao lado do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Segundo ele, o objetivo é alcançar inflação de 4,5% no ano que vem, que é a meta consolidada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O regime de meta tem uma tolerância de 2 pontos para cima ou para baixo. Recado A ênfase na autonomia da autoridade monetária foi necessária depois de Henrique Meirelles, o atual mandatário da instituição, ter mandado recado cifrado à presidente eleita. Aos ouvidos de Dilma, Meirelles tentou impor condição de que só ficaria no cargo se tivesse autonomia de gestão. A presidente eleita ficou irritada por, segundo assessores, jamais ter colocado em questão a blindagem do BC contra interferência política. Na avaliação de pessoas próximas a Dilma, Meirelles tentou blefar e não conseguiu levar o cargo. Acabou sobrando para Tombini, o nome preferido do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ocupar a cadeira máxima da autoridade monetária. No breve pronunciamento que fez ontem durante a oficialização de seu nome, Tombini ressaltou o bom trânsito com Mantega. “Existe um entrosamento muito bom, produtivo, que produz resultados importantes. Nos cinco anos que estive no BC com o ministro Mantega, fizemos coisas importantes na agenda de tornar o país uma economia forte e segura”, afirmou. Tombini aproveitou para agradecer Meirelles. O atual presidente do BC emitiu uma nota classificando de excelente a escolha de Dilma. “É um profissional completamente preparado para a função. Trabalhamos juntos por cinco anos e tenho plena confiança nele”, consta do texto assinado por Meirelles. A Associação de Servidores do Banco Central divulgou comunicado em defesa da autonomia da instituição. Preterido, Meirelles se diz “gratificado” Vânia Cristino Carlos Moura/CB/D.A PressO todo-poderoso presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai começar do zero em termos políticos. Para a carreira que sempre almejou, de nada adiantou permanecer oito anos no comando do BC e de lá sair com o reconhecimento nacional e internacional e inúmeras manifestações de apreço. Nesse tempo todo, Meirelles não conseguiu ver seu projeto pessoal decolar. “Estou feliz, gratificado”, disse Meirelles, que escolheu como palco para a despedida pública do cargo — que efetivamente só ocorrerá em 31 de dezembro — o plenário da Comissão de Assuntos econômicos (Cae) do Senado Federal. Oficialmente, o presidente do BC cumpriu, ontem, o último compromisso no Congresso, ao comparecer na companhia da presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, para dar explicações sobre as ações do governo em relação ao Banco Panamericano, controlado pelo grupo Silvio Santos. Depois de listar o que classificou de “uma história de sucesso”, Meirelles disse que sua intenção e seu objetivo sempre foram concluir seu trabalho com o presidente Lula. “Regras de boas práticas de Bancos centrais de todo o mundo aconselham que um presidente de Banco Central não fique mais do que dois mandatos”, assegurou, acrescentando que esse é o “momento adequado para encerrar a missão”. Meirelles admitiu que sua carreira política foi meteórica. Eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás, em 2002, nem chegou a tomar posse. Desistiu do mandato para assumir a Presidência do Banco Central. Nas vezes em que pensou mudar de rumo — 2005 e 2010 — acabou decidindo por permanecer no cargo. “Tomei uma decisão consciente. Não reiniciei minha curta carreira política porque queria concluir minha missão”, ponderou. De acordo com Meirelles, os fatos que se desenrolaram a partir de então mostraram que ele estava certo. Ele lembrou que, mesmo no início deste ano, a situação econômica mundial estava longe de poder ser classificada como “um céu de brigadeiro”. Houve um refluxo da situação mundial com a crise de solvência em vários países europeus e, mais recentemente, a questão do mercado financeiro, observou. Meirelles disse com todas as letras que não pensa em aposentadoria e que tem um bom tempo à frente para pensar no futuro. “Meu pai parou de trabalhar aos 92 anos. Seis meses depois ele chegou à conclusão de que a aposentadoria tinha sido precipitada”, contou.
VALOR ECONÔMICO (SP) • FINANÇAS • 25/11/2010 • CONCORRÊNCIA
Maria Fernanda nega decisão política sobre PanAmericano
Ruy Baron/ValorMaria Fernanda reafirmou que a compra do Panamericano ainda deverá dar a rentabilidade esperada pela Caixa A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, afirmou que a compra do Banco Panamericano foi uma decisão estritamente empresarial e que não houve influência política. Segundo ela, o negócio deve dar a rentabilidade esperada pela Caixa à medida que for implementado o plano de negócios definido para a instituição e que novas aquisições já estão em estudos pela CaixaPar, braço do banco responsável pelas parcerias. "Estudamos quatro projetos na CaixaPar, nos setores de seguridade, cartões e tecnologia bancária", disse a presidente da Caixa, em entrevista. Sobre a operação de cartões, já foi anunciado que é a intenção da Caixa integrar a bandeira elo, juntamente com Bradesco e Banco do Brasil. Maria Fernanda esteve presente ontem na comissão de Constituição e justiça do Senado para prestar esclarecimentos sobre a compra do Panamericano, recentemente socorrido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os Senadores que participaram da audiência questionaram a operação feita pela instituição federal. O Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) perguntou se a compra foi feita "já se sabendo dos problemas ou a Caixa foi ingênua ao achar que estava fazendo um grande negócio?" Ela repetiu que desconhecia os problemas contábeis do Panamericano até ser informada em setembro pelo Banco Central. Disse ainda que a compra de participação no banco do dono do SBT faz parte de um projeto de longo prazo, estabelecido para até 2015, de expansão do crédito e ampliação de market share em vários segmentos, "com vista ao atendimento da clientela de baixa renda", disse ela. Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também presente à comissão, disse que o BC não pode ser o auditor do sistema financeiro. "Apenas a Caixa tem 500 auditores internos", comparou. Segundo ele, se essa atribuição coubesse à autoridade monetária, ele precisaria de uma empresa "supergalática de auditoria" para dar conta da tarefa. Meirelles afirmou ainda que o mercado ficaria sujeito ao risco moral, semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos, com as empresas do setor imobiliário Freddie Mac e Fannie Mae. Lá, disse ele, os investidores pararam até de avaliar o risco, porque os investidores entenderam que havia garantia para todas as operações e isso teve um custo de mais de US$ 1 trilhão.
JORNAL DO SENADO (IMPRES) (DF) • COMISSÕES • 25/11/2010 • DESTAQUES CAIXA