Banco do Brasil e CAIXA baixam juros e poderão ser capitalizados pelo Tesouro Nacional (Valor Econômico)

BB inicia a ofensiva para reduzir spread dos bancos

Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff dizer que não há justificativa técnica para o elevado spread bancário no país, e alguns dias depois da reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir o assunto com bancos públicos e privados, o Banco do Brasil anunciou a redução generalizada dos juros e a ampliação dos limites de crédito em suas principais linhas. A Caixa Econômica Federal anuncia o corte em suas taxas na próxima semana.

A taxa da linha BB Crediário, de financiamento ao consumo, que variava de 2,26% a 4% ao mês, agora vai de 1,60% a 1,98% ao mês. Os juros no financiamento de veículos, antes de 1,24% a 3,79% ao mês, passaram a 0,99% a 2,65%. O custo do capital de giro para pequenas e microempresas baixou de 1,98% para 1,68% ao mês. O BB vai aumentar em R$ 43,1 bilhões a oferta de crédito.

O mercado não gostou da ofensiva do BB. Após a divulgação das novas taxas, o preço das ações do banco chegou a cair 6,9% e encerrou o dia em queda de 5,9%. Segundo Paulo Rogério Caffareli, vice-presidente de atacado do BB, essa reação não surpreendeu e seguiu o padrão visto sempre que o BB se posiciona de forma mais arrojada para aumentar seus negócios.

Governo discute capitalização de Caixa e BB

A Caixa anuncia, na próxima semana, o corte nos juros das suas linhas de crédito, em sintonia com o que fez ontem o Banco do Brasil e em consonância com as determinações do governo. Também na próxima semana, a Febraban, que congrega os grandes bancos, leva ao Ministério da Fazenda propostas de medidas para que as instituições privadas possam cogitar a redução dos juros. O foco da Febraban será em medidas que melhorem as garantias e reduzam a inadimplência. Essa é mais uma cruzada do governo para baixar os juros, encurtando a diferença entre as taxas de captação e as de aplicação dos bancos (spread).

Para os dirigentes de bancos públicos, o movimento de corte de juros e a esperada expansão do crédito não comprometem os índices de Basileia no curto prazo. Mas já se discute no governo se BB e Caixa vão ter que ser capitalizadas pelo Tesouro Nacional este ano ou no próximo, quando começam a vigorar as regras de Basileia 3.

Garantem, também, que o corte dos juros não está sendo feito de forma voluntarista. Há espaço para isso, asseguram.

"Considerando o cenário prospectivo, há espaço técnico para a redução dos juros sem que o crédito passe a ser subsidiado, com critérios de mercado e modelo de risco bem calibrado", disse um diretor de um banco estatal. Nesse cenário, a taxa Selic estará em 9% ao ano a partir deste mês e não há, no horizonte visível, risco de elevação substancial dos juros básicos.

"A discussão está posta. Quem não quiser enxergar, não enxerga", comentou um vice-presidente de um dos bancos federais.

O que aconteceu na crise de 2008/2009 é emblemático do que pretendem as autoridades econômicas do governo Dilma Rousseff. Os bancos privados nacionais e estrangeiros se retraíram, as instituições públicas ampliaram o crédito e conquistaram maior fatia do mercado. O crédito originado pelas instituições públicas, que antes da crise financeira representava cerca de 30% do total, atualmente corresponde a 43% do bolo do crédito.

Para os bancos privados, cujos indicadores de inadimplência são piores que os dos bancos públicos, a questão das garantias é central. Nas propostas coordenadas pela Febraban, há sugestões como a permissão para que os fundos de previdência privada (PGBL e VGBL) possam ser dados em garantia de uma operação de financiamento ao consumo e para a ampliação da alienação fiduciária, dentre outras.